Folhas amarrotadas, sonhos jogados,
O vento sopra restos de um mundo cansado.
Ideias descartadas, vidas em risco,
O útil é o que vende, os restos são fragmentados
Até o tempo virou embalado.
Reduzir, reutilizar, reciclar…
Tentam curar feridas de séculos mal lavrados
O ser humano esquecido cheio de culpa,
A natureza poluída, chora e desculpa.
O homem chama inútil ao que não brilha
Descobre tarde que o valor se compartilha.
Sapatos gastos andam sem destino,
Percorrem caminhos num desatino.
As ruas sujas mostram cicatrizes,
As árvores sequiosas desnudam as raízes,
Roupas rasgadas vestem esperanças passadas.
O verde inexistente suplica por cor
Mas a fumaça pinta o céu do mesmo tom de dor,
A Terra em ebulição clama da crueldade
Agora, em cada lamento, explode com brutalidade.
Salvar o planeta é reciclar a alma
É plantar no mundo a semente da calma.
A Terra exige, repete, insiste,
E talvez o inútil seja o que ainda resiste.
Do resto nasce a vida, do lixo brota a flor.
Do que foi esmagado, renasce o amor.


