A luz do obsoleto remete-nos para o embalsamento do tempo:
Sim, do tempo sem recorte nem vento.
Do tempo que, escondendo-se, se retém.
Distendamo-nos na relva da improdutividade,
olhando para o horizonte do desdém.
Por que viver, afinal,
prisioneiros da sociedade?
Haverá, porventura, nisso qualquer pedaço de utilidade?
Como um papel branco, vamos deixar o espaço formar-se
numa memória coletiva que talvez falhe: não volte?
Porque a utilidade do inútil talvez repouse
num qualquer canto ao sol da inutilidade.


