Ricardo Godinho

Se me lesses

Se pedisse para me leres descobririas um caderno: cheio de páginas pautadas, quadriculadas, lisas e outras tantas caídas, folhas agrafadas, dobradas, amassadas rascunhos que não passaram de intenções. Porque não sei definir-me nas palavras que cabem nos dicionários, sou texto escrito à margem onde a pontuação me cala nas reticências que coloco entre as linhas […]

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Vens?

Vens subtil. Leve como uma pena que tu própria já foste. Agarras-me a mão ainda adormecida e invades-me. Chamas-te poesia. Dizem eles. A mim chamas-me pelo nome. Vens austera. Perversa como só tu consegues ser. Empurras-me para o barulho que se faz na sombra. Perfeita como um não que ecoa na bandeira que trazes ao

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Cadela Feminina

Na subjetividade efusiva do desejo, Vaidade eruptiva constante, Crio a realidade em tons vivos, Capto o pesadelo em tela diagonal. Escrevo para o horror, o feio e o mau, Enlaço sentimentos malfadados, De cruz anel e cordão.   Cadela feminina voraz, Presa sem perdão, origem ou religião. Já disse e volto a dizer, Aqui não

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Traços Incompletos

Palavras à solta, perdidas ao vento,outras acolhidas – guardadas no tempo.Inacabado requinte ou desilusão?Voaram páginas lidas em pensamento, conchas fechadas, ostracizadas,despenteadas, mal interpretadas,folhas rasgadas ou violadas sem dó. Magoa-me quem as reduz a pó,sendo elas tecidas com fios coloridos,suaves, doces ou requintadas,belas, poesia, textos musicados,quadros pintados, telas inacabadas.O reverso da palavra amor é dor,da alegria,

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Tudo por Ti

No dia em que chegaste ao mundo, a tua mãe partiu. O esforço de te fazer nascer foi demasiado para o seu corpo frágil. Não resistiu. Expirou pela última vez sem ouvir o teu primeiro choro. Desde esse dia que passaste a ser a totalidade do meu mundo. Encheste, por completo, a minha vida. Fechei-me

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