Ricardo Godinho

O grito

O grito ergue-se, mudo, da garganta, ensurdecendo quem está em seu redor. Não com o som, com o atordoar do verbo que não é falado, do veredito resoluto que lhe sai como um pulsar, irreprimível, que ninguém é capaz de refrear!   No escoar das horas, dos dias, dos anos, o grito esgotou-se… Quem o

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Amoral

Compasso febril de pele ardente,cordas em tremor a vibrar na boca,murmúrio de sereia, voz rouca,tange o corpo em clave decadente. Dedos solfejam na carne fremente,arcos que entornam a nota louca,estrofes de prazer, harmonia oca,onde o pudor se rende ao inexistente. Eis a moral que o gemido desafia,timbre de lábios em ritos secretos,requiem profano de anatomia.

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líquor

a poesia (não tires poesia das coisas) elide sujeito e objeto. (Carlos Drummond de Andrade)   não as dizer todas as palavras restam vãs desabam na tumba do universo      o assassínio à solta   o gesto de mão no rosto do filho ainda calam no gosto dos homens a tola acepção do dizente eu  

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