Rosa Chaves
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A luz do obsoleto remete-nos para o embalsamento do tempo:Sim, do tempo sem recorte nem vento.Do tempo que, escondendo-se, se retém. Distendamo-nos na relva da improdutividade,olhando para o horizonte do desdém. Por que viver, afinal,prisioneiros da sociedade?Haverá, porventura, nisso qualquer pedaço de utilidade? Como um papel branco, vamos deixar o espaço formar-senuma memória coletiva que
Ao sol da inutilidade Read More »
Folhas amarrotadas, sonhos jogados, O vento sopra restos de um mundo cansado. Ideias descartadas, vidas em risco, O útil é o que vende, os restos são fragmentados Até o tempo virou embalado. Reduzir, reutilizar, reciclar… Tentam curar feridas de séculos mal lavrados O ser humano esquecido cheio de culpa, A natureza poluída, chora e desculpa.
Ser útil ou inútil Read More »
Dei um nó que não desato tornou-se laço aperto alfinete ao peito não se vê e é mudo combina com tudo
Uma peça intemporal Read More »
Era uma vez um lugar tão distante que, poucas pessoas o conheciam, especialmente porque apenas quem acreditava em fadas, gnomos, unicórnios e outros seres semelhantes conseguia lá entrar. Ficava num vale cercado de montanhas. Numa delas, tão alta que às vezes obscurecia o sol, repousava um vulcão, como um gigante num sono profundo. As montanhas
O dragão que não cuspia fogo Read More »
Na casa da Maria, como em todas as casas, as meias rompiam-se. As dela, as da mãe, as do pai e, sobretudo, as dos dois irmãos mais novos, que adoravam jogar futebol. De todas as vezes que ajudava a mãe a dobrar as meias, encontrava alguma furada que, inevitavelmente, ia parar ao “meião”, na esperança
O mistério das meias desaparecidas Read More »
— Estou a dizer-te que há alguma coisa errada! — insisto, esforçando-me para não elevar a minha voz exasperada acima de um sussurro. Não posso falar mais alto e correr o risco de acordar o bebé. Não quando finalmente o consegui adormecer, depois de horas de gritos e choradeira. Do outro lado da linha, ouço
A mãe que alimenta Read More »
As escadas de pedra de Ançã encaminhavam Sofia para as catacumbas frias da igreja da sua paróquia. A tia seguia uns degraus abaixo, imune à nuvem de bafio e pó que adensava o ar. Havia apenas um postigo, por onde se viam os pés das pessoas que passavam lá fora, e as paredes estavam