Ricardo Godinho

O jardim do Elias

Diziam que Elias tinha enlouquecido. Que passava os dias a conversar com coisas mortas – uma chávena sem asa, uma pena sem tinta, um relógio parado nas quinze horas e trinta e quatro minutos, um porta-moedas sem fecho, um botão perdido e tantos outros. No quintal da sua casa, entre ervas e silêncios, não havia

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O que nos salva

O Mundo Útil O relógio não marcava horas, contabilizava desempenho. As fachadas dos edifícios respiravam luz e dados, pulsando como corações artificiais: “O tempo que não rende, morre.” A cidade era um organismo de vidro e aço, onde o ar cheirava a ozono e metal limpo e o silêncio soava como uma linha de produção.

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Tempo das Coisas

Sílvia sempre fora considerada estranha. Gostava de permanecer quieta. Às vezes sentada, outras vezes deitada, ou simplesmente encostada a um tronco, a observar tudo à sua volta, sem fazer mais nada. Pelo menos, era o que diziam. Alguns falavam em meditação, mas ela nada percebia disso. O que realmente apreciava era ver as cores, sentir

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