Ricardo Godinho

O Regresso

Júlia regressava ao país natal.  Há sessenta anos  que vivia distante, na longínqua Austrália, para onde os pais a haviam levado ainda menina, antes de perfazer os dez anos. Ali cresceu e amadureceu, fazendo da saudade uma companheira silenciosa. Jamais esquecera o seu pequeno recanto na aldeia: o lar dos avós, que nunca mais voltara […]

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O mudo

Era uma vez…perdão, era uma voz, como defende Afonso Cruz. Segundo o autor, todas as histórias deveriam começar pela segunda forma, porque quem as conta tem voz própria, muito sua, singular. A minha voz não fazia barulho. Nasci mudo. As nuvens engoliram o som quando nasci. Não chorei. Aquelas formas brancas de água condensada choraram

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Do Realismo ao Naturalismo: tensões epistemológicas e inovações estéticas

A segunda metade do século xix constitui um dos períodos mais dinâmicos, complexos e heterogéneos da história literária europeia, nomeadamente em Portugal. Após um ciclo marcado pela mimese e crença de que a literatura deveria refletir tudo quanto os sentidos podem apreender, a Modernidade Literária configura-se num ambiente intelectual em ebulição, onde a racionalidade toma

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O texto sem dedos: pós-edição, assistência virtual e o fim das gralhas

Numa galáxia não muito distante, quando um texto chegava à etapa de revisão, trazia consigo um certo ruído genuinamente humano: uma vírgula fora do sítio, uma palavra repetida, um “mas” ou um “e” a mais, um erro de digitação que denunciava pressa, cansaço, distração ou simples troca de teclas. Esse pequeno desvio era também uma

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