Ricardo Godinho

O Bom Gafanhoto

Mateus matou o grilo no dia do seu trigésimo aniversário. Não era um grilo, na verdade, era um gafanhoto, mas era um chato do caralho. Esse tipo de linguagem é impróprio e desnecessário seria o que o grilo diria, se ainda tivesse a cabeça ligada ao corpo. Enquanto era criança, Mateus suportara-o. Poderia dizer, até,

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Mapa Ancestral

Conseguia imaginar o som dos ramos das árvores a sacudirem-se como chicotes. As pessoas caminhavam curvadas, com a cabeça inclinada para a frente, os braços cruzados contra o peito, escondidas por casacos, golas altas, cachecóis e capuzes. Encostada ao parapeito, do lado de dentro da janela, também eu de braços cruzados, via-me obrigada a libertar

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Ser ou fingir? Eis o senão

Manhã desperta O som da campainha arrastou-o para a minúscula realidade do quarto. Os olhos, estremunhados pela vigília, fixaram o teto como se esperassem licença para regressar ao dormente aconchego. Três toques insistentes estilhaçaram-lhe a vontade. De ceroulas e camisola de lã, dirigiu-se à entrada. Do binóculo descortinou apenas um emaranhado de caracóis negros que

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