Ricardo Godinho

Interlúdio

Arregalei os olhos no escuro, em vão. Teria sido o ressalto de uma queda? O sonho de um sismo, talvez. Os cabelos a cobrir-me a cara, os lençóis enrolados nas pernas e as mãos perdidas, às cegas, na procura de pontos de referência. Finalmente, encontrei a cabeceira da cama. Com estranheza, dei pela ausência da

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Desligação

…e nada mais há a dizer, agora que resta apenas a memória de todas as palavras ditas e se esvazia a vontade de construir novos sentidos, não há motivo algum para falar por falar. Repara que nada de novo surgirá. Recuso continuar a sentir-me vigiado, como cada vez que ouço “onde estás?”; não posso continuar

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Colecionadora

Disseram-me:          — Vais trabalhar para o café. Vais ver: é trabalho honesto e dinheiro certinho.          Aceitei. Tinha de pagar o quarto nas águas-furtadas, sem elevador, da Rua dos Correeiros, onde o que me restava dos pertences ainda se empilhava devido à falta de mobília. O dinheiro até podia ser certinho, mas a quantidade era parca.

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