Ricardo Godinho

O espelho

Pumba, catrapumba! Maria atirou a escova do cabelo para o chão. Deitou as mãos à cabeça e despenteou-se. — Nunca vou ser uma bailarina de verdade! — disse,  olhando-se ao espelho que tinha no canto do quarto, de braços cruzados, língua de fora e franzido a testa. — Vem cá! Vou mostrar-te o que não

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Palavras ensaiadas

«[…] e sem um forte afeto e humanidade no coração, […] a felicidade jamais pode ser alcançada.» Charles Dickens Faltam vinte euros. Ricardo pousou o rosto infantil entre as mãos. Nem o dinheiro espalhado na colcha de dragões, nem a pequena vaca de porcelana esventrada, o motivavam. Sentou-se no chão, joelhos dobrados, imaginando que obrigava

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O Muro

O muro era tão alto que nem se vislumbrava o topo. E tão liso que era impossível trepá-lo. Tampouco se sabia de que material fora feito, nem como fora construído. Parecia sempre ali ter estado e, de facto, assim era. Jamais constara nos livros de história, nem fora sujeito nas estórias de alguém. Também se

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